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Líder recém formado já é destaque na rede do Climate Reality Brasil


Na volta do Seja a Voz da Realidade, conheça a história climática de André Calderan, o caipira do interior de São Paulo, que trouxe ainda mais energia para a rede do Climate Reality Brasil.

Formado pelo primeiro Treinamento Global, em julho de 2020, André já se tornou um Líder da Realidade Climática (e Mentor!) em evidência. Em uma conversa realizada no início do mês, tivemos a oportunidades de saber mais sobre a trajetória de Calderan, motivações para ter se tornado um líder em destaque nos primeiros meses como liderança climática e sobre os objetivos da iniciativa Sustent(Ação), criada em parceria com os membros da Table 307 do Treinamento Global.


Confira a entrevista:


"Como tem sido sua trajetória como Líder da Realidade Climática até aqui?


Ainda sou um Líder da Realidade Climática recém-formado, realizei meu treinamento em Julho de 2020. O treinamento foi muito significativo, primeiro pela seleção das discussões que foram trazidas no treinamento não só pelo Al Gore, mas por outros profissionais, sempre de maneira muito rica em seu conteúdo, muito atuais, críticas e de muita relevância. Em seguida, achei muito interessante as propostas de ação através dos Atos de Liderança, que eram muito simples e era algo que já gostaria de implementar de alguma forma em minha trajetória pessoal.


Mas um dos momentos mais marcantes foi o final do treinamento, em que fomos apresentados à rede brasileira do Climate Reality Project e não teve como não sentir toda energia compartilhada naquele momento, uma energia que é sempre muito generosa e acolhedora. A segurança que senti nesse momento foi o grande impulsionador para que eu começasse a agir em prol de causas que acredito e defendo, assim, me comprometi a realizar os atos de liderança que havia proposto realizar e a ser parte dessa rede tão incrível, ajudando no que fosse possível.


Dá pra ver que eu já sou apaixonado por essa rede, por toda amizade (mesmo com quem você não conhece) compartilhada em nossos espaços, pela liberdade criativa que temos dentro do grupo – uma experiência que tem sido muito potencializadora e um lugar seguro para criar e aprender.


Esse sentimento e essa energia não podiam ficar guardados comigo, então resolvi me tornar mentor e fui presentado com mentees sensacionais, pessoas muito incríveis e profissionais muito engajados em suas diferentes áreas, foi um encontro único e tão especial que a sinergia do grupo fluiu de maneira natural - o que facilitou a co-criação de diferentes iniciativas dentro do grupo, que chamamos de Sustent(ação).


Atualmente estamos curtindo nossas férias, mas realizamos encontros semanais, onde discutimos temas relacionados às mudanças climáticas, planejamos nossas palestras virtuais e o mais importante, apoiamos uns aos outros em nossas inciativas e projetos pessoais – a sinergia é tanta que até sentimos falta desse encontro, onde também desabafamos, falamos sobre a vida, acolhemos e incentivamos uns aos outros – já pensou que louco fazer tudo isso com pessoas que você acabou de conhecer? É simplesmente apaixonante! Agora, temos pensado em novas formas de atuação e em novas propostas de ação para 2021, especialmente na área educacional – em breve, quem sabe temos um projetinho?


Qual é a importância de ser um Líder Climático e um Mentor?


Ser Líder Climático e Mentor é ser mensageiro, é construir pontes entre pessoas e atores dentro de suas realidades e ser propositivo com soluções para os mais diversos problemas que a crise climática traz em seu bojo, sabendo ouvir e respeitar o que o outro traz e tem a dizer. Assim, percebo que em ambos os casos, ser um líder climático e um mentor, demanda responsabilidade e comprometimento. Fazemos parte de uma rede simplesmente incrível, pela qual temos a possibilidade de participar de diversas iniciativas e trocas de experiências que nos prepara, nos forma e transforma como pessoas e profissionais, se você permitir. Temos uma plataforma para que possamos potencializar não só nosso desenvolvimento pessoal e profissional, como, principalmente, a luta por uma causa em comum que é tão grande, que pode abarcar diversas outras. Vejo que isso tudo também exige responsabilidade e comprometimento, pois nosso trabalho é construído em rede. Temos todo respaldo e segurança para levantar uma bandeira e lutar contra a crise climática em nome do Climate Reality Project, portanto, para que possamos nos assumir como líderes climáticos devemos também assumir essa construção, participar dos espaços propostos que são criados, de modo a fomentar as iniciativas da rede para que ela continue crescendo e aumentando seu impacto. Ser líder climático tem sua importância porque temos uma base (que é o Climate Reality Project), por isso, precisamos fazer parte dela de fato e ajudá-la em suas iniciativas para que o impacto do trabalho de todos os líderes possa ser ainda mais pulverizado e possa chegar aonde é mais preciso.


Temos todo respaldo e segurança para levantar uma bandeira e lutar contra a crise climática em nome do Climate Reality Project.

Em quais pontos o Climate Reality foi enriquecedor no seu trabalho na luta contra a crise climática?


O encontro e a sinergia que tive com os meus mentees, que facilitaram a co-criação de diversas iniciativas em diferentes espaços. Este contato com diferentes pessoas, possibilitou que saíssemos da bolha de São Paulo para apoiar e participar de eventos na região norte do país, em parceria com a Universidade Federal Rural do Amazonas no no seu 1º Seminário Meio Ambiente e Sociedade, por exemplo, levando inclusive as mensagens que fomentamos em nossas apresentações. Nosso grupo pode representar todo o potencial que temos em nossa rede (e esse foi apenas um exemplo). Através dela e das pessoas incríveis que fazem parte dela, hoje estou envolvido em um projeto do Instituto Terroá (Juntos es Mejor), faço parte da rede União Pantanal, participei da Jornada do Cima, e tenho certeza que não vai parar por aí.


De onde surgiu o desejo de criar o projeto Sustent(Ação) com outros Líderes da Realidade Climática?


Nosso grupo criou uma sinergia natural, obviamente, não entre todos, pois muitos tinham outros compromissos e prioridades, ainda mais em um ano tão complicado como foi 2020. Mesmo assim, uma boa sinergia se manteve em nossos encontros e, como começamos a cocriar eventos e a planejar futuras ações em conjunto, decidimos dar um nome para o grupo (antiga Table 307), o Sustent(Ação), de modo também a criar uma identidade em comum com todos que faziam parte daquele grupo naquele momento, e quem sabe, com mais pessoas que virão a fazer parte dele.


Qual é o objetivo dessa iniciativa?


Começamos com o 24 Horas de Realidade! Nosso primeiro evento em conjunto, foi pelo qual demos o ponta pé inicial para transformar as ideias que tínhamos em grupo em um possível projeto. Como o 24 Horas de Realidade deu muito certo, um dos objetivos atuais é dar continuidade aos nossos encontros e discussões e continuar a transmiti-las, abri-las ao público e a outros líderes climáticos, aliás, nosso grupo está sempre aberto a quem quiser participar. Como temos profissionais muito experientes em nosso grupo e muitos licenciados, temos também a ideia de criar e compartilhar conteúdos educativos sobre mudanças climáticas e meio ambiente que possam ser utilizados por escolas.


Quais desafios você tem encontrado para execução dessa iniciativa? E como a Rede de Lideranças do Climate Reality Brasil pode apoiar?


Nosso maior desafio atual é a nossa organização, ainda não conseguimos iniciar projetos mais complexos, até por sermos um grupo muito recente. Tudo o que fizemos até agora foi com pouco planejamento. O que sempre agradecemos é ter tido todo o suporte da equipe do Climate para fomentar nossas discussões e compartilhá-las em seus canais oficiais. Isso nos deu muita força no início dos projetos. Futuramente, com iniciativas mais estruturados, espero que possamos manter essas parcerias, pois, como sempre falamos, nosso encontro foi facilitado pelo Climate.


Outro desafio é unir mais pessoas ao grupo, somos um grupo formado em sua maioria por moradores da cidade de São Paulo (capital). Além de termos muitas discussões muito interessantes sobre a cidade e o Estado de São Paulo, temos a intenção de ampliar essas discussões, fazer encontros temáticos e seria muito interessante reunir mais pessoas e outros líderes climáticos em nossos encontros.


Você tem se mostrado um Líder da Realidade muito ativo e participativo. Qual fator te motiva?


Acho que um dos fatores que me motiva a ser muito atuante com o Climate é compartilhar de uma luta em comum e acreditar no projeto, pois, ele não diz o que ou como você deve agir, apesar de termos os Atos de Liderança, eles são muito simples e te dão total autonomia no como fazer ao atuar na luta contra a atual crise climática, assim, aqui, eu sinto segurança para criar e liberdade para aprender fazendo – o Climate acredita na gente e isso faz total diferença.


O segundo fator que me motiva é o desejo latente de dar minha contribuição ao planeta, hoje busco compreender as diferenças e os meus privilégios, respeitando o que o outro traz e ouvindo o que ele tem a dizer, para que, assim, possamos juntos cocriar as soluções que o planeta precisa, começando pela nossa realidade. O Climate me ensina muito quanto a isso, cada experiência e espaço que são criadas, são pensadas para que todos possam participar e tenham iguais oportunidades de fala e de escuta, assim temos trocas muito significativas, que nos possibilita conhecer diferentes pessoas e aprender com elas – isso para mim não tem preço e é um valor que compartilho com o projeto.

Conheça a história do Líder:


"Meu nome é Andre Mafra Calderan, estou fazendo 28 anos e sou um caipira do interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Porto Ferreira. Ao longo de minhas experiências, afirmar se um “caipira” não só traz muito da minha história e dos meus ancestrais, como ilustra a minha formação, traz um sentimento de pertencimento à essa cultura e uma noção de dever e valorização para com o interior de São Paulo.


Desde pequeno, era uma criança muito arteira e curiosa, como dizem meus pais, eu não parava nem por 1 minuto e acredito que essas características permaneceram presentes em minha vida até hoje – estou sempre com uma curiosidade enorme em conhecer novas perspectivas e ter novas experiências. Conhecer novas pessoas e trocar experiências e aprendizados de vida com elas é fantástico e me ensina muito!


Acho que esse perfil inquieto, foi muito incentivado pelos meus pais quando mais jovem, sempre tinha aulas de vôlei e natação, artes plásticas, música (clarinete) e artes cênicas, informática, inglês, nunca parei. E além dessas aulas, a profissão de minha mãe, como diretora de escola em uma comunidade periférica da minha cidade fez com que eu me envolvesse em muitos trabalhos voluntários e campanhas para a cidade e para essas comunidades, foi onde conheci uma cidade que é mais do que simplesmente a capital de cerâmica e da decoração, tive um encontro com realidades muito diferentes e ainda tão distintas das minhas, mesmo para uma pequena cidade do interior.


Nessas experiências fiz vários amigos, mesmo que ainda crianças, mas que observavam e contavam que tinham medo de muitas coisas pelas quais outras pessoas passavam nesses locais que são muito pesadas, como estupros, violências etc. Uma das falas que mais me marcou nessa época foi a de uma amiga que me surpreendeu, pois ela fazia mais atividades fora de casa do que eu fazia, na época ela devia ter 11 anos, e ela me disse que fazia tudo isso para ficar fora de casa o máximo de tempo possível, pois ela tinha medo de voltar pra casa e ser violentada. E eu nunca consegui me conformar com tais diferenças e não teve como não me preocupar com meus amigos e com as futuras gerações. Foi então que decidi cursar Administração Pública, incentivado pelos meus pais, para seguir carreira na política e fomentar políticas públicas para o desenvolvimento da minha cidade, porém, após formado, o que eu menos queria era seguir a carreira pública.


Durante minha formação tive contato com diversas iniciativas, como o Movimento CHOICE e AIESEC que ampliaram meus horizontes para outras formas de gerar impacto na sociedade, sem necessariamente seguir na administração pública, como, por exemplo, através do empreendedorismo social. Ajudar pessoas e organizações a alcançarem seus objetivos e a transformarem positivamente realidades sempre preencheu meu sentimento de missão. Assim, busquei experiências que compartilhavam esse propósito trabalhando posteriormente em consultorias e startups do setor de tecnologia e educação no chamado setor dois e meio.


Mas claro que, para uma pessoa inquieta, não dava pra parar por aí! Cresci em contato com a natureza e, em casa, a preocupação com o meio ambiente sempre foi muito presente, especialmente por viver próximo ao campo e com os anos notar as suas transformações, especialmente a constante pressão antrópica aos fragmentos vegetais remanescentes.

Ao longo de minha experiência e dos meus estudos, notei que as mudanças climáticas e os impactos ao meio-ambiente podem se tornar fatores limitantes ao desenvolvimento local em curtos prazos, especialmente por ter graves consequências sociais, então meu desejo de atuar em prol do desenvolvimento sustentável se tornou latente, mas não sabia como.


Depois de um momento de crise existencial e aceitação de que eu queria uma mudança talvez de carreira, comecei a cursar Licenciatura em Ciências Biológicas como segunda graduação – de modo que poderia não só continuar o trabalho ajudando pessoas e organizações, como também poderia compartilhar esses saberes dando aulas – que se tornou uma paixão desde a primeira vez que pisei em uma sala de aula como professor, especialmente em um projeto que foi muito significativo na minha trajetória – o cursinho comunitário geração NEAR da Unesp de Araraquara.


Atualmente, tenho buscado oportunidades que unam meus saberes e experiências, embora ainda esteja indeciso sobre empreender ou construir uma carreira. E o encontro com o Climate Reality Project foi muito significativo neste sentido: o contato com pessoas de diferentes áreas e organizações tem ampliado não só meus conhecimentos através das nossas trocas, como minha visão sobre quais caminhos poderei seguir."




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