Líder em Destaque: Fernanda Matos leva o olhar brasileiro ao IPCC
- The Climate Reality BR

- 15 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de dez. de 2025

Líder da Realidade Climática, mentora e vencedora do Alfredo Sirkis Green Ring Awards, Fernanda Matos acaba de alcançar mais um marco em sua trajetória: foi selecionada como revisora especialista do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um dos espaços científicos mais relevantes do mundo. A participação integra a revisão do Special Report on Climate Change and Cities (SRCITIES), relatório especial que conecta ciência climática e dinâmicas urbanas.
Em entrevista, Fernanda explica que o processo de seleção do IPCC é público, internacional e altamente criterioso. Especialistas de todo o mundo se inscrevem demonstrando sua experiência acadêmica e profissional em temas ligados às mudanças climáticas, cidades e políticas públicas. Após avaliação, os selecionados passam a integrar o grupo de revisores do First Order Draft. “Ser aceita para revisar o SRCITIES representa uma grande oportunidade de aprendizado e, ao mesmo tempo, de contribuição a partir de uma perspectiva intersetorial e sul-americana, especialmente em temas como governança das águas, gênero e justiça climática, que orientam minha atuação”, destaca.
"O IPCC se preocupa em garantir que os relatórios reflitam diferentes saberes, contextos regionais e uma visão equilibrada, baseada em evidências”
Na prática, o papel de uma revisora do IPCC é analisar criticamente o conteúdo técnico, científico e socioeconômico do relatório em elaboração. Fernanda explica que o trabalho envolve comentar a precisão, a consistência e a relevância política dos textos, sempre com base na própria expertise. “É um processo científico colaborativo e global. O IPCC se preocupa em garantir que os relatórios reflitam diferentes saberes, contextos regionais e uma visão equilibrada, baseada em evidências”, afirma. O resultado final se torna referência para formuladores de políticas públicas, gestores e pesquisadores em escala mundial.
Para Fernanda, a presença de especialistas brasileiras e brasileiros nesse espaço é estratégica. Ela observa que cerca de 130 brasileiros(as) foram aceitos(as) para colaborar na revisão do documento, mas apenas 13 revisores(as) efetivamente aportaram contribuições analíticas dentro do prazo. “Essa participação qualificada é fundamental para ampliar o diálogo entre ciência, saberes locais e políticas públicas, conectando a produção de conhecimento global com as realidades territoriais do Brasil e do Sul Global”, ressalta. Segundo ela, a diversidade social, ambiental e urbana do país oferece aprendizados essenciais para a agenda climática internacional.
Fernanda também chama atenção para a importância da representatividade. A presença de mulheres brasileiras no IPCC fortalece a inclusão de perspectivas de gênero e justiça social nos debates globais sobre clima e cidades. “Nosso olhar ajuda a tensionar soluções universais e a considerar desigualdades, vulnerabilidades e contextos específicos”, afirma.
Ao final, a mensagem de Fernanda para outras pessoas da rede Climate Reality Project que sonham em atuar em espaços internacionais é direta e inspiradora. “É preciso acreditar no valor da própria trajetória e lembrar que a ciência se constrói de forma colaborativa e plural. Há espaço para quem conecta conhecimento técnico, prática e compromisso com a justiça climática. Participar do IPCC exige dedicação e paciência, mas é uma oportunidade imensa de aprendizado e contribuição. O olhar brasileiro, especialmente o das mulheres engajadas, é indispensável para uma agenda climática verdadeiramente transformadora."




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