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Líder da Realidade Climática, Renata Monteiro é destaque de fevereiro e atua na revisão científica do IPCC

  • Foto do escritor: The Climate Reality BR
    The Climate Reality BR
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Para muita gente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) ainda soa como um espaço distante, quase inalcançável. Um ambiente restrito a poucos especialistas, aparentemente desconectado da realidade cotidiana. A trajetória de Renata Monteiro mostra exatamente o contrário. Líder da Realidade Climática e pesquisadora brasileira, ela integrou o time de revisoras especialistas do IPCC e, pelo feito, foi escolhida como Líder em Destaque de fevereiro.


Na prática, explica Renata, o IPCC funciona como um grande esforço coletivo de rigor científico. “É menos um olimpo inacessível e mais um processo colaborativo em escala global”, afirma. O trabalho de revisão exige leitura minuciosa, senso crítico apurado e um alto nível de responsabilidade. As revisoras não apenas leem os textos: verificam a solidez das evidências, a consistência entre capítulos e a precisão da linguagem, especialmente para evitar interpretações equivocadas por tomadores de decisão.


“Revisar o IPCC é ajudar a garantir que o manual de sobrevivência da humanidade seja escrito com base em ciência sólida e com um compromisso real de não deixar ninguém para trás.”


Atualmente, Renata contribui como revisora em dois processos estratégicos. Além do Relatório Especial sobre Mudança do Clima e Cidades, ela também integra a revisão do Relatório Metodológico sobre Forçantes Climáticas de Curta Duração (SLCPs), ampliando sua atuação em temas-chave para a mitigação e adaptação climática. Como revisora especialista, sua contribuição é fortalecer a integridade científica dos documentos. “É como uma checagem de qualidade em escala global, em que cada comentário ajuda a tornar o relatório mais claro, mais representativo e mais fiel ao consenso científico”, resume.


Ao revisar conteúdos relacionados às mudanças climáticas e às cidades, Renata reforçou uma constatação central da ciência climática atual: o território urbano é um ponto-chave da crise climática. Embora não possa compartilhar detalhes específicos do material analisado, ela destaca que o debate evidencia como os impactos climáticos nas cidades estão profundamente conectados às desigualdades sociais. Condições de moradia, infraestrutura e acesso a serviços tornam determinados grupos muito mais vulneráveis. “A adaptação urbana não pode ser pensada apenas como obra ou tecnologia. Ela precisa ser planejada com justiça climática, para proteger quem está mais vulnerável”, explica.


Para Renata Monteiro, a presença de pesquisadores do Sul Global nesses espaços é estratégica. “É uma questão de justiça climática, qualidade científica e precisão política”, defende. O Sul Global concentra grande parte da população mundial, das áreas mais vulneráveis aos impactos climáticos e também das experiências mais concretas de adaptação em contextos de desigualdade. Quando esses pesquisadores participam do IPCC, levam para os relatórios o chão da realidade: urbanização informal, desigualdade territorial, governança complexa, limitações estruturais e soluções que emergem das comunidades.


Sem essa participação, alerta Renata, existe o risco de que diagnósticos e recomendações funcionem bem em contextos do Norte Global, mas não se ajustem às condições sociais, econômicas e ambientais de países como o Brasil. “Participar é garantir que o Sul Global não seja apenas o cenário dos impactos, mas protagonista na construção das soluções”, reforça.


Ao traduzir a importância desse trabalho para o público em geral, Renata Monteiro é direta e contundente:“Revisar o IPCC é ajudar a garantir que o manual de sobrevivência da humanidade seja escrito com base em ciência sólida e com um compromisso real de não deixar ninguém para trás.”



Renata é pesquisadora e educadora com atuação interdisciplinar nas áreas de mudanças climáticas, educação ambiental e climática, regiões semiáridas e psicologia do consumo. É doutora em ciências climáticas (UFRN), mestra em climatologia (UECE), graduada em economia (UFC) e em biologia (UECE) e mestranda em economia (UERN). É líder climática do Climate Reality Project Brasil e facilitadora do Mural do Clima. 



 
 
 

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