The Climate Reality Project mobiliza campanha global contra expansão do gás fóssil e pede rejeição de projeto no Senado do Brasil

No Dia Internacional de Ação pelo Clima, mobilização artística levou mensagens a lideranças políticas e empresariais de 24 países e regiões. No Brasil, campanha alerta para os riscos do PL 5.017/2019, que pode garantir décadas de dependência do gás fóssil e elevar as contas de luz.

No Dia Internacional de Ação pelo Clima, celebrado em 24 de outubro, o The Climate Reality Project mobilizou pessoas de todo o mundo em uma campanha global para exigir que governos, bancos, legisladores e outras lideranças tomem decisões capazes de impedir a expansão do gás fóssil. A iniciativa, que antecede a COP31, reuniu arte e ativismo para pressionar 24 alvos políticos e empresariais a dizerem “não” a novos projetos de combustíveis fósseis.
No Brasil, a mobilização chama atenção para o Projeto de Lei 5.017/2019, que surgiu como uma proposta de oferecer descontos na conta de luz para irrigação rural, mas passou a incluir a exigência de contratação de 2.500 megawatts (MW) de novas usinas a gás por 30 anos. Os empreendimentos teriam de operar pelo menos 70% do tempo, mesmo quando fontes renováveis, como a solar e a eólica, estivessem disponíveis a preços mais baixos.
A aprovação do projeto representaria um retrocesso para a transição energética brasileira. Ao garantir contratos de longo prazo para usinas a gás, a proposta pode consolidar décadas de dependência de combustíveis fósseis, dificultar a expansão de fontes renováveis e impor custos adicionais aos consumidores brasileiros, que pagariam por essa energia por meio de suas contas de luz.
“Não é transição energética. É um compromisso de décadas com os combustíveis fósseis, pago pela população brasileira.”
É por isso que o Climate Reality Brasil se soma à mobilização global e pede ao Senado Federal que rejeite o PL 5.017/2019. A decisão sobre o futuro da matriz energética brasileira precisa priorizar a expansão das energias renováveis, a redução das emissões e o acesso à energia a preços justos, em vez de criar novas garantias para a geração a gás.
Arte e mobilização para dizer não ao gás fóssil
A campanha global foi impulsionada por um novo site do The Climate Reality Project, que reúne obras de artistas de diferentes partes do mundo retratando os impactos do gás fóssil em suas comunidades. Por meio das ferramentas disponíveis na plataforma, visitantes puderam compartilhar as obras e enviar mensagens diretamente às lideranças políticas e empresariais com poder para impedir novos projetos de gás fóssil.
No Brasil, a obra do artista Galo apresenta a frase “Gás fóssil não é transição, é um retrocesso”, retratando uma comunidade diante de estruturas industriais e alertando para os impactos da expansão dos combustíveis fósseis.
“O Dia Internacional de Ação pelo Clima foi uma oportunidade incrível para pessoas de todo o mundo se unirem e exigirem que as lideranças nas negociações climáticas da COP, nos conselhos de administração das empresas e nas sessões legislativas tomem medidas concretas diante da crise climática”, afirmou Lacey Kohlmoos, gerente de campanhas de redução de emissões do The Climate Reality Project.
“É por isso que, em 24 de outubro, cada um dos 24 alvos da nossa campanha recebeu centenas de mensagens pedindo que tomassem uma única decisão capaz de ajudar a impedir a expansão do gás fóssil, reduzir as emissões e abrir caminho para mais energia limpa.”
O Climate Reality Brasil pede ao Senado Federal que rejeite o PL 5.017/2019 e impeça que o país assuma novos compromissos de longo prazo com a expansão do gás fóssil.
Acesse a página da campanha no Brasil e participe da mobilização:




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