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“Somos todos batalhadores de uma mesma causa”, confira a entrevista com Liliana Pimentel

A Líder da Realidade Climática conta sobre sua trajetória como ativista ambiental e suas ações voltadas para as mudanças do clima.


Na última edição do “Líder em Destaque” de 2020, convidamos Liliana Pimentel, Mestre em Planejamento Urbano, Arquiteta e Urbanista, e Líder da Realidade Climática desde 2014, para contar sobre sua trajetória como ativista ambiental e suas ações voltadas para as mudanças do clima. Conversamos com Liliana no último mês de novembro. Confira a entrevista:


No anuário de lideranças do Climate Reality Brasil já podemos identificar Liliana logo nas primeiras páginas. Apoiadora, ativista digital, escritora, organizadora e palestrante. É assim que a identifica a rede brasileira. Mas tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essa “voluntária compulsiva pelas causas que defende” (como ela mesma diz), ao longo da nossa entrevista realizada no último mês de novembro.

O interesse de Liliana pelo clima começou antes mesmo da faculdade de Arquitetura e Urbanismo, ainda na década de 80. Ela conta que, pelo menos desde os 14 anos de idade, já se importava com as causas ambientais e a relação cidade - natureza pela sua estreita relação com os rios em que brincava na infância. No decorrer dos estudos acadêmicos, desenvolveu a perspectiva de que “planejamento urbano, clima e meio ambiente são indissociáveis e caminham juntos, inevitavelmente - para o bem ou para o mal.”, passando a incorporar essa visão em seus projetos e nas diversas atividades profissionais que desenvolve como servidora pública e professora universitária.


“Desde que ingressei na Universidade, sempre mantive esse olhar da integração: arquitetura, urbanização, ocupação do território, e qualidade ambiental. Na maioria das faculdades de arquitetura, nos anos 80, imperava a dicotomia entre cidade e natureza que, na verdade, não deve existir e, felizmente, vem sendo deixada de lado ao longo das últimas décadas.”, relata.


E essa visão que ela busca imprimir nas suas aulas como professora universitária, inserindo as questões ambientais e da realidade climática, além de outras agendas como os ODS e a transformação de conflitos nas suas aulas nos cursos de Arquitetura e Engenharia em que atua como professora. Liliana acredita que esses são temas fundamentais para a preparação dos novos profissionais, a difusão da cidadania e dos temas transversais é essencial para o desenvolvimento e a transformação social e precisa ser alvo de um maior cuidado na educação em nível superior e na prática profissional, o que lhe rendeu a oportunidade de ser bolsista Fulbright pelo programa Hubert H. Humphey, servindo como pesquisadora visitante sobre meio ambiente e mudança do clima no Programa Especial de Estudos Regionais e Urbanos do MIT, sendo hoje membro do grupo de alumni do instituto que se une pela ação climática, o MACA group, que conta com vários líderes da realidade climática atuando dentro e fora dos Estados Unidos.


Além do MACA, a Líder da Realidade Climática atua de forma voluntária em diversas outras organizações ligadas ao meio ambiente, paz, recursos hídricos e clima, ela atua como co-chair do grupo de interesse em água na Environmental Peacebuilding Association, e é membro ativo do Mediators Beyond Borders como integrante da Trust Network, que monitora violência urbana, do Comitê de Clima e outros ligados à prevenção e a transformação de conflitos. Como membro-fundador do Instituto Agenda Urbana Brasil, assumiu a Gestão da Câmara Técnica das Agendas Globais que analisa os vários desafios complexos e os acordos internacionais nos ambientes urbanos, recentemente assumiu a coordenação do cluster de justiça climática do Observatorio Latinoamericano para la Acción Climática (OLAC), onde contribui também como co-coordenadora no Brasil da Campanha Regional pela Reativação Transformadora da economia na América Latina e Caribe, carreada pelo OLAC e CAN-LA e que conta com o apoio do Climate Reality Brasil e Climate Reality América Latina entre outros parceiros.


Essa sua dedicação à integração regional se reflete no seu discurso:

“Não acredito que a gente consiga discutir ou tratar de realidade climática sem um olhar mais amplo. O Planejamento biorregional ao qual me dedico desde os anos 90, exige um olhar que transcende fronteiras. Então, esse fortalecimento da ligação latino-americana está presente no meu trabalho com as águas, no meu trabalho com educação e pesquisa, e no meu trabalho com clima, apesar de não ser fluente no espanhol, como grande parte dos brasileiros. A barreira linguística deve ser vencida para que possamos nos fortalecer como região num cenário global que tende a ser cada vez mais conflituoso à medida que os efeitos das mudanças do clima se tornam mais evidentes.”


O Climate Reality Project Brasil é uma das organizações que aderiu ao OLAC por iniciativa da Líder com o apoio da Coordenadora Renata Morais e conta hoje com a atuação de outros líderes da realidade climática nas ações do observatório, Liliana lembra que:

“[...] somos uma organização que reúne diversas instituições, indivíduos, universidades, que fazem voluntariamente o trabalho de acompanhamento das NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada) e da descarbonização da economia dentre outras diversas ações na região da América Latina e Caribe. Para isso nos organizamos em clusters que tratam da justiça, do financiamento, da comunicação e do monitoramento das contribuições climáticas, num total de 86 voluntários representando diversas organizações com atuação regional. Ao longo de 2020 realizamos mais de 10 webinars, e várias publicações importantes que contam com a chancela do Climate e outros parceiros, incluindo a que será lançada em Dezembro e traz o Resumo da Semana Latino Americana pelo Clima, que aconteceu entre os nossos dois treinamentos globais”


E completa mencionando que “O OLAC busca encontrar formas de colaboração, exemplos e compartilhamento de ideias, construção e revisão das NDCs nos diversos países, analisando a capacidade financeira e as ações de financiamento climático e sua compatibilidade com a redução das emissões de carbono nos processos produtivos e de desenvolvimento econômico. Buscamos verificar ainda que a comunicação e a participação social seja feita de forma efetiva e buscando garantir que a informação seja instrumento de justiça climática”.


Nessa entrevista também perguntamos sobre a importância de ser uma Líder da Realidade Climática e, antes de tudo, Liliana salienta que “somos todos batalhadores de uma mesma causa”. Para ela, os conceitos de “liderança” e “realidade” são fluídos e voláteis e mais importante que o exercício de liderança sobre uma realidade particular é integrar um grupo unido pelos mesmos valores e causas que defendemos como indivíduo.

A partir dessa perspectiva, Liliana destaca um fator relevante: trabalhar coletivamente nos dá uma maior garantia de que nossas vozes sejam ouvidas.


“Ser uma Líder da Realidade Climática ou estar vinculada ao Climate Reality Brasil, como prefiro me reconhecer, tem a mesma significância que integrar outros grupos de ação coletiva e assim poder levar outras vozes do Climate a esses grupos em que atuo, podendo ter a minha voz carreada por outros Líderes em grupos dos quais não participo. É o que me insere nessa grande teia global pelo clima.”


Ainda falando sobre a relação com a rede de lideranças do Climate Reality, Liliana Pimentel ressalta dois pontos enriquecedores no seu trabalho na luta contra a crise climática.

“Foi fundamental para o meu engajamento o grupo que se formou na minha mesa durante o treinamento no Rio, em 2014, mais da metade desse grupo continua bastante ativo, seja nas atividades do Climate Reality Project, ou em outras organizações, mas sempre atuando como parceiros, já que alguns de nós fundaram novos grupos e até novas ONGs desde então.


Logo após o treinamento, criamos: eu, Armando Dal Coletto e o Rick Badras, o GE-Clima, Grupo de Educação pelo Clima voltado à difusão do conhecimento climático junto às Universidades, inicialmente em São Paulo, abarcando todos os cursos superiores e associações de atuação profissional. Esse contato e união com esses líderes, além do suporte da minha mentora, Rondine Charmaine, foi fundamental para me manter engajada e atuante até hoje na nossa rede”. Apesar do grupo ter se tornado inativo, com a sua mudança e de Rick para outros estados em 2015, ela pretende um dia retomar as atividades relacionadas à melhoria na disseminação dessa consciência sobre a crise climática dentro das universidades.


A entrevista foi finalizada com a pergunta “quais ações fazemos separados que poderíamos estar fazendo juntos?” e Liliana responde:


“(...) existe muito que poderíamos já estar fazendo todos juntos: ouvir ao outro, respeitar as diferenças, e encontrar nessa diversidade o que temos em comum e como podemos nos dispor para trabalhar unidos por um mundo mais equitativo e justo. Construir no presente esse futuro melhor de que a gente tanto fala.”

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