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Santa Marta 2026: por que o mundo vai se reunir na Colômbia para falar, enfim, sobre sair dos combustíveis fósseis

  • Foto do escritor: The Climate Reality BR
    The Climate Reality BR
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A guerra e os choques geopolíticos de 2026 voltaram a escancarar uma verdade que a ciência já vem repetindo há décadas: nossa dependência de petróleo e gás não é apenas uma tragédia climática. Ela também é um risco econômico e social. Alimenta a inflação, fragiliza a segurança energética e expõe países e famílias a crises que não controlam.


É justamente nesse contexto que ganha importância a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que acontece em Santa Marta, na Colômbia, de 24 a 29 de abril de 2026, coorganizada pelos governos da Colômbia e dos Países Baixos. A conferência surge para enfrentar um vazio que já se tornou insustentável: o da implementação. Não faltam diagnósticos. Falta remover os bloqueios que travam decisões públicas e criar condições reais para uma transição justa, ordenada e equitativa, em linha com as metas climáticas e com a melhor ciência disponível.



O que Santa Marta representa

Santa Marta não é apenas mais uma conferência. Ela nasce como uma tentativa concreta de avançar onde os processos multilaterais tradicionais têm falhado. Em vez de ficar no campo das declarações genéricas, o encontro propõe entrar no terreno das políticas, da governança, do financiamento e da cooperação internacional.


O objetivo é construir caminhos habilitadores para a transição, com instrumentos econômicos, arranjos de governança e políticas públicas capazes de acelerar a saída dos combustíveis fósseis com integridade. O resultado esperado é um relatório que possa servir de insumo para o roteiro preparado pela presidência da COP30, reforçando que a conversa sobre o fim dos fósseis precisa sair do discurso e entrar na prática.


Como a conferência foi construída

Um dos diferenciais de Santa Marta é o processo de construção. Entre fevereiro e abril, foi organizada uma metodologia de participação para reunir contribuições em torno de três pilares.

  • Reduzir a dependência econômica dos combustíveis fósseis.

  • Transformar a oferta e a demanda de combustíveis fósseis.

  • Fortalecer a cooperação internacional e a diplomacia climática.


Organizações registradas puderam enviar contribuições escritas até 14 de março, ampliando a participação mesmo para quem não consegue estar fisicamente presente no segmento de alto nível. Esse modelo importa porque tira a conferência de um formato apenas declaratório e a aproxima de um mecanismo capaz de sistematizar propostas e gerar um documento final com vocação real de implementação.


O que o Climate Reality levou à mesa

Como parte desse processo, o The Climate Reality Project apresentou três propostas que atacam pontos centrais da crise.


A primeira é a reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis. A ideia é encerrar incentivos que mantêm petróleo, gás e carvão artificialmente baratos e redirecionar esses recursos para renováveis, redes elétricas, eletrificação, eficiência energética e transição justa, com requalificação de trabalhadores e diversificação econômica local.


A segunda é a redução da influência do setor fóssil por meio de liderança internacional responsável. Isso significa criar normas claras para quem lidera fóruns multilaterais, com transparência, mitigação de conflitos de interesse, respeito aos direitos humanos, igualdade de gênero e centralidade da ciência.


A terceira é não tratar gás fóssil como combustível de transição ou limpo em políticas públicas e finanças. Essa linguagem abre espaço para greenwashing e para novos investimentos em infraestrutura de longa duração que prendem países a emissões futuras.


Por que isso importa para o Brasil

Para o Brasil e para a América Latina, Santa Marta importa porque a transição energética não será justa se continuar capturada pelos mesmos interesses que criaram a crise. A influência do setor fóssil não aparece apenas nas decisões nacionais. Ela também atua nos espaços multilaterais, tentando reduzir ambição, atrasar metas e reescrever a transição como se bastasse trocar o discurso sem mexer na estrutura de poder.


O The Climate Reality Project Brasil vai acompanhar os desdobramentos da conferência, e a filial da América Latina estará presente presencialmente, representando a organização. Líderes da Realidade Climática também devem participar de diferentes debates ao longo da programação.


O ponto central é simples: Santa Marta só fará diferença se elevar o padrão da conversa global, com integridade, foco em implementação e sem concessões ao lobby fóssil. É isso que precisamos monitorar, traduzir para o contexto regional e conectar ao trabalho que já vem sendo feito em fim dos fósseis e financiamento climático.


No centro da disputa

Se a transição energética é inevitável, a verdadeira disputa já não é mais sobre se ela vai acontecer. A pergunta agora é quem vai defini-la, com quais regras e a serviço de quais interesses. Ela pode ser guiada por planejamento público, justiça social e ciência. Ou pode ser capturada pelo choque, pela desigualdade e pela desinformação.

Santa Marta existe porque o mundo já entendeu que não dá mais para adiar essa decisão. Agora, o que está em jogo é acelerar uma transição que enfrente de verdade o poder dos combustíveis fósseis e vire a página da dependência de petróleo e gás.


Por isso, junte-se à nossa campanha para acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis. 



 
 
 

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