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O futuro nos ensina hoje

Texto produzido pela Líder da Realidade Climática e Gerente da Filial Brasil do Climate Reality Project, Renata Moraes


Em Setembro do ano passado fui convidada a fazer uma apresentação durante a Conferência Internacional sobre Educação Sustentável, que foi realizada na cidade de Nova Déli, na Índia.

Estávamos vivendo um momento muito interessante, pela minha perspectiva e tentei apresentar esta ideia ao público que me ouviu, e que eu gostaria de acreditar, me entendeu. Eu sou professora, desde que me entendo por gente a Educação sempre me chamou atenção, sempre falou ao meu coração, e aprendizagem é uma companheira há quase meio século.


Iniciei minha fala contextualizando um pouco do que acreditava ser importante justificar eu estar de pé em frente àquelas pessoas e agradecer a mais de 200 mil alunos de todas as idades que me deram conteúdo para falar ali, por me permitir ter essa experiência sensacional e transformadora que é ser educadora, e a todos que a tornaram possível. Também agradeci ao The Climate Reality Project, em nome de seu fundador, Al Gore, por me permitir representá-los, desde 2016, ao lado de muitos Líderes da Realidade Climática em todo o mundo. Ao Alfredo Syrkis, diretor da organização na qual eu trabalho o Centro Brasil no Clima, aos colegas da mesa, sendo 2 deles representantes do Climate Reality da Indonésia, minha querida amiga Amanda Katili e Europa, o querido Zsolt Bauer à audiência e à organização, em especial ao Sr. Aditya Pundir, também representante do Climate na Índia, e que foi o responsável pelo convite para atravessar um continente.



Depois de 2 dias aprendendo com os maiores palestrantes do evento me preparei para dar minha contribuição para esse assunto tão essencial para o futuro do nosso planeta, mostrando o que fazemos no Brasil. Compartilhei algumas lições que aprendi na minha jornada como Educadora Ambiental, nesse trabalho da educação para o futuro.


Abaixo, segue um pouco das reflexões que busquei entregar naquele dia:


“Apesar de ser um tema universal, o meio ambiente em muitas escolas brasileiras ainda se resume a fechar as torneiras e não jogar lixo no chão. Embora vejamos muitos projetos realizados nas escolas, e alguns deles por professores, temos muito pouco resultado em ações, sejam elas infantis ou não. Ainda temos muito desperdício de água limpa, desperdício de comida, muito lixo no quintal após o intervalo dos alunos e na saída das salas de aula. Para a maioria de vocês que provavelmente não conhecem nossas escolas brasileiras, sim, temos muitas lixeiras. Toda a equipe escolar se esforça para educar as crianças no consumo sustentável, tanto na alimentação saudável quanto na proteção dos recursos naturais. Há ótimos resultados, mas ainda temos muitos desafios. E uma delas é como inspirar nossos alunos, conhecendo suas realidades a se comprometerem o suficiente com questões socioambientais, de maneira que eles possam lutar pelo nosso futuro comum.


Antes de voltar a esse ponto, gostaria de trazer o reflexo do momento especial da educação, uma inversão da didática, na forma de preparar e conduzir as aulas, trazendo elementos não só de fora das escolas, mas questões futuras para as salas de aula. Isso é ótimo porque geralmente trabalhamos através componentes do passado, mas a educação para a sustentabilidade nos obriga a trabalhar com cenários futuros, e posso dizer isso: nunca aprendemos tanto com o futuro como hoje na escola do presente!


Depois de enfrentar esses desafios, e por décadas gritando em um vazio, cientistas e ativistas climáticos têm atraído um aliado importante: a nova geração. O mundo finalmente começa a entender que "nossa casa" está realmente queimando. Hoje em dia, o futuro nos ensina através de mobilizações ao redor do planeta conduzidas por jovens líderes climáticos que estão substituindo a inércia dos adultos pelas ações pelas ações que clamam. Há um pequeno parágrafo aqui que resume o que eu disse antes: "Nunca houve nada parecido na história. Nunca os filhotes tentam salvar o mundo que os adultos sistematicamente destroem. Muitos anos de estudo serão necessários para entender os efeitos dessa inversão sobre como os adultos amanhã entenderão o mundo e seu lugar nele. Mas para isso, devemos ter amanhã. "


Aos que nunca souberam de mim, e muito menos da minha trajetória, saibam que deixei de ensinar às crianças para me dedicarem a ensinar a população adulta, que está vivendo mais, consumindo mais e está muito ocupada cuidando de outros assuntos para permitir que as crianças tenham uma vida plena de oportunidades de aprendizados. Tentei fazer com que os adultos prestassem atenção, ouvissem verdadeiramente, e agissem acolhendo genuinamente as vozes de seus filhos que pedem, com olhos brilhando de esperança, água limpa, ar fresco e um planeta fértil e saudável. Hoje, essas crianças e adolescentes sentem sua casa queimando, sentem o calor do fogo e inalam a fumaça da ignorância da crise climática. Eles percebem que não têm tempo para esperar que os pais resolvam o problema que só piorou até agora. Testemunhamos, sem perceber a grandeza do fato, a adaptação mais fascinante à emergência climática do planeta. Crianças e adolescentes pedindo aos adultos que ajam imediatamente. Não quero ignorar o que a nova geração diz, os adultos devem prestar total atenção a eles.


Uma das frases na minha jornada de educação e que até hoje faz muito sentido para mim, é que "nós só amamos o que conhecemos". Se adicionarmos isso a outra frase repetida no mundo ambiental - "você precisa saber para preservar", então esse será o nosso conhecimento e nossa vida se expandirão. Amor e conhecimento são duas variáveis na mesma relação que temos com o meio ambiente.


O que isso tem a ver com educação para o futuro? Tudo. Porque está saindo da inércia e se livrando da apatia, vamos mostrar a essas crianças que nos importamos então. Ninguém sozinho pode aprender a saber, amar ou preservar qualquer coisa.


Ninguém se coloca em movimento nem para saber, para amar, ou para conservar sem interesse, sem um desequilíbrio didático que nos encoraja a nos levantar e nos conectar com esse movimento de forma rápida, inteligente e irreversível. Fazer perguntas como “o que posso fazer para me tornar o ser humano que nosso planeta precisa?”, como apoiar os jovens de hoje durante esta jornada? Como promover o acesso ao conhecimento sobre a crise climática para a maioria da população - quem ainda não sabe o que está por vir? Não se trata de pessimismo ou otimismo. É sobre inação ou ação... quando ainda é possível.


E é por isso que voltei a estar em contato com a juventude. Para aprender, para ouvir, dar voz e para apoiá-los. Para demonstrar afeto e cuidar daqueles que realmente se importam, estar em uma comunidade que luta pela justiça, preconceito e contra a crise climáticas, contra aqueles que estão esgotando o planeta, contra aqueles que estão queimando as florestas, queimando nossa Amazônia - não deixando amanhã para a próxima geração.


Desde 2018 tenho visitado cada vez mais escolas primárias, escolas secundárias e universidades que me convidam e até mesmo aquelas que não me convidam! Fiz parcerias com associações de professores e escolas, prefeituras, órgãos governamentais ambientais e educacionais, ministrando oficinas sobre crise climática, com ferramentas de comunicação e educação para leigos e candidatos a cargos públicos. Não tenho respostas, tenho cada vez mais e mais perguntas. Ainda não sei como alcançar milhares de jovens que não estão ao nosso alcance e vivo pedindo ajuda a quem possa ajudar a encontrar soluções a essas respostas somando esforços para ampliar nossa voz.


Uma das partes do meu trabalho é encorajar os líderes do Brasil a reportar e realizar ações que possam resultar em informação, e juntos, temos feito mais de 800 atividades nos últimos 12 meses. É desafiador, e tenho muita sorte de ter pessoas incríveis ao meu lado a todo momento, e que mantêm a energia desse movimento. Mas a coisa que mais nos renova, ainda mais forte que a energia solar, eólica e assim por diante, é ver esses jovens que estão realmente interessados e comprometidos a participar dessa mudança.


Nas escolas, criamos jogos, músicas, histórias, filmes e desenhos animados. Trabalhamos com Recreação Ativa, metodologia criada por Tony Vargas, que permite que crianças a partir de 2 anos possam compreender e se envolver no movimento ambientalista. Também estivemos presente no movimento jovem Sextas para o Futuro. Tentamos dar importância aos participantes e garantir que suas vozes pudessem ser ouvidas.


Devemos mostrar aos jovens que podemos mudar para e por eles. Estamos aqui para agir com nossos filhos e ouvi-los. Para dar voz, não para falar por eles. Despertar o interesse, oferecer conhecimento e garantir que a luta vale apena. Que a humanidade pode agir em conjunto contra as todas as crises. Então, eu pergunto, o que de tão grandioso pode ser possível fazer sozinho que não podemos fazer muito melhor juntos?


Nosso mundo é incrível. Está cheio de seres extraordinários. Ouvimos histórias de todas as espécies superando adversidades em todo o mundo. Tem muita gente ao nosso lado esperando apenas um convite para serem chamadas para ajudar a salvar o planeta. Conectar. Não se limite, transborde fronteiras. Não há razões para fazer isso sozinho. Devemos assumir a responsabilidade pela menor de nossas tarefas, porque todas elas contam. Ficaremos por pouco tempo, por isso é urgente amar e preservar o que as próximas gerações podem ou não saber.


Não é sobre o futuro que queremos.

É sobre o futuro que precisamos.

Não podemos esperar mais!

Sigamos, daqui em diante, ainda mais juntos.



Renata Moraes – Carioca, Gerente da Filial Brasil do Climate Reality Project.

Mãe da Carol e da Camilla, avó da canina Nutella e do felino Goose é uma pessoa feliz, porém preocupada com o futuro da vida planetária frente ao aquecimento global e outras agruras. Adora seres vivos em geral e vive cultivando o florescimento alheio. Curte demais uma transgressão pedagógica, desenhar processos participativos e ultimamente anda fazendo pesquisas sobre metodologias ativas na Educação.

Dos quase 50 vividos, há 27 anos vem se dedicando a Educação Ambiental tendo alcançado quase 188 mil alunos e mais de 18.000 profissionais. Desde 2016 trabalha junto a 592 líderes da realidade climática para catalizar ações que impeçam o aquecimento do planeta acima de 1,5°.

Sua grande frustração foi não ter fundado o bloco de rua “Vem ni mim que eu sou facinha” e tenta estabelecer conexões e contatos com tudo o que respira ao longo de sua jornada. Se quiser levar essa ou qualquer outra prosa adiante é só enviar e-mail para renatamoraes@outlook.com ou seguir no Facebook e Instagram.

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